Jefferson Adriano Negreiros não planejava ficar em Portugal. Aos 51 anos, natural de São Paulo, ele carrega uma trajetória que começou com a intenção de passar apenas três meses em Lisboa. O destino, no entanto, tinha outros planos.
O convite veio da tia, Sarah, que já vivia há 12 anos em Portugal. Sabendo do desejo do sobrinho de se aprofundar no teatro, ela o inscreveu em um grupo teatral e o incentivou a atravessar o oceano. A proposta era simples: viver uma experiência cultural e depois retornar ao Brasil.
Lisboa foi a porta de entrada natural. A adaptação aconteceu de forma tranquila, amparada pela estrutura familiar já consolidada. O maior desafio, curiosamente, não foi burocrático nem cultural. Foi futebolístico.
“O principal desafio foi não ter como assistir aos jogos do Corinthians. Naquela época não havia internet nem canais internacionais que transmitissem”, relembra com humor.
Mas o que seria uma breve temporada virou permanência. E o teatro, que motivou a mudança, acabou sendo apenas o começo de algo maior.
Embora já tivesse ligação com a música no Brasil, Jefferson não atuava profissionalmente na área. Foi em Lisboa que a virada aconteceu. Em um espaço com música ao vivo, de maneira despretensiosa, pediu para tocar uma canção. O gesto simples mudou sua trajetória.
“O Persio Plastino, que até hoje é meu grande amigo, me chamou para fazer parte da banda. Foi esse momento o início da minha carreira musical.”
A partir dali, a música deixou de ser paixão paralela e se tornou profissão. Com o tempo, Jefferson não apenas se consolidou como músico, mas também ampliou sua atuação para o campo empresarial, criando projetos que fortalecem a cultura brasileira na Europa.
O Mundo Brasil, hoje uma estrutura organizada que reúne diferentes iniciativas culturais, começou de maneira amadora. A profissionalização veio a partir de uma conversa estratégica com o amigo Zé Ricardo. Ao perceberem que já prestavam serviços para grandes empresas, surgiu um ponto crucial: era preciso formalizar.
“Ele disse que gostaria de contratar nossos serviços, mas não poderia se não fôssemos também uma empresa. Foi ali que decidimos estruturar tudo.”
A formalização abriu portas importantes. Logo depois, veio o convite para atuar no Rock in Rio, na Rock Street, levando capoeira, batucada de escola de samba e baiana de acarajé. A cultura brasileira passou a ocupar espaço de destaque em grandes eventos internacionais.
Paralelamente, Jefferson abriu o After Music Bar, em Lisboa, um espaço dedicado à música ao vivo. Com o apoio de dois grandes nomes da música portuguesa, Rui Veloso e Luís Represas, o bar rapidamente se tornou referência na cidade.
“Nessa empreitada foi fácil fazer com que o bar fosse um grande nome em Lisboa, no entanto a nível de licenças foi muito complicado, mas vencemos.”
O negócio prosperou até a chegada da pandemia. O impacto financeiro do Covid foi a maior barreira enfrentada em toda a trajetória empresarial.
“A barreira financeira foi mesmo o Covid.”



Mesmo após tentativas de recuperação, o After Music Bar encerrou as atividades em setembro de 2025. Um ciclo se fechava, mas não o propósito.
Na parte musical, um dos momentos mais marcantes foi o convite para tocar na comemoração dos 30 anos de carreira de Rui Veloso. A participação trouxe visibilidade e impulsionou ainda mais sua consolidação tanto artística quanto empresarial.
Hoje, o foco de Jefferson é claro: levar a cultura musical brasileira de forma profissional para empresas e eventos, expandindo sua atuação no mercado europeu.
“O propósito do meu negócio hoje é levar a cultura musical brasileira de forma profissional às empresas e eventos, além do interesse em crescer financeiramente.”
Com mais de 20 anos de experiência, ele acredita que o diferencial do seu trabalho está no profissionalismo.
“O que diferencia o meu trabalho é o profissionalismo que mais de 20 anos de experiência me deram, para poder apresentar um serviço de excelência.”
Ao falar para brasileiros que desejam empreender em Portugal, ele é direto e pragmático.
“Estudem as leis das finanças e as leis trabalhistas e sigam-nas à risca. A falta de conhecimento nessas áreas pode fazer ir por água abaixo um projeto promissor. E, por mais que diminua o lucro, prestem um serviço de excelência.”
Para o futuro, o plano é expandir ainda mais o negócio em nível europeu, consolidando a presença da cultura brasileira de forma estruturada e profissional.
Jefferson Adriano Negreiros representa um tipo de empreendedor que nasce da prática. Não foi a estratégia inicial que o trouxe para a música profissional, mas a oportunidade abraçada no momento certo. Não foi um plano de negócios que o manteve em Portugal, mas a construção diária de relações, projetos e reputação.

