Há trajetórias que não seguem uma linha reta. Elas se constroem em ciclos, mudanças e recomeços, sempre com algo em comum que atravessa o tempo. No caso de Robson Nolasco, esse fio condutor sempre foi a música.
Natural de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, Robson Francisco Nolasco Alves, hoje com 57 anos, iniciou sua caminhada artística ainda jovem, no rádio. Foi ali, em 1987, que tudo começou. A comunicação, a voz e o contato com o público já davam sinais de um caminho que, mesmo sem saber, o levaria para muito além do Brasil.
Poucos anos depois, em 1990, mudou-se para Fortaleza, onde sua carreira ganhou estrutura e projeção. No Grupo Jangadeiro de Comunicação, atuou como locutor, diretor e apresentador de televisão, consolidando-se como um profissional versátil dentro do universo da comunicação.

Mas foi a partir de 1996 que sua história começou a ganhar novos contornos. Ao deixar o grupo, mergulhou definitivamente na música com a criação do grupo de samba e pagode Magia da Pele. O projeto rapidamente abriu portas, inclusive internacionais.
Em 1999, surgiu o convite que mudaria o rumo da sua trajetória: vir a Portugal para divulgar um álbum. “Morei quase um ano no país, fazendo divulgações em rádios, televisões e apresentações ao vivo”, relembra Robson Nolasco.
A experiência foi marcante, mas naquele momento ainda não era definitiva. No ano 2000, o grupo retornou ao Brasil, desta vez para São Paulo, onde passaram a ser representados pelo escritório do apresentador Raul Gil. Apesar da grande oportunidade, o projeto não seguiu adiante por questões empresariais.
Foi então que Portugal voltou a cruzar seu caminho, dessa vez, de forma decisiva. “O que me motivou a vir para Portugal foi o facto de me ter apaixonado pelo país desde o primeiro momento em que pisei no aeroporto”, afirma Robson Nolasco.
O convite para ser cantor residente de um bar que estava em ascensão abriu uma nova porta. E, em 2001, ele decidiu atravessá-la. Diferente da experiência anterior, agora vinha para ficar.




A mudança trouxe também novos desafios. Acostumado a grandes palcos e estruturas completas, Robson se viu diante de uma realidade completamente diferente. “Eu estava habituado a grandes palcos… e passei a atuar num ambiente mais pequeno, cara a cara com o público”, conta.
Além disso, a estrutura musical também mudou drasticamente. “Saí de uma banda de onze músicos para ser acompanhado por apenas um teclista”, relembra.
Apesar das adaptações, havia um ponto positivo importante: estabilidade. Foi esse equilíbrio que permitiu que, poucos meses depois, trouxesse sua família para viver com ele em Portugal. Durante quatro anos, manteve-se nesse projeto, consolidando seu espaço e adaptando sua forma de atuação a um novo público. Mas, mais uma vez, a sua trajetória estava prestes a mudar.
Em 2005, aceitou um novo desafio, desta vez, em Moçambique. Ao lado da família, embarcou em um projeto de sociedade em um bar de música ao vivo chamado Sinatra. O que era para ser apenas uma experiência tornou-se uma longa jornada de crescimento profissional. “O momento de virada foi quando decidi ir para Moçambique”, afirma Robson Nolasco.
Por lá, não apenas atuou na música, mas também expandiu sua atuação na comunicação. Tornou-se diretor da rádio KFM, apresentou o programa de televisão “Só Jogo”, exibido na TVM (Televisão de Moçambique), e, em 2011, deu mais um passo importante ao inaugurar o seu próprio espaço: o Robson’s Bar.
Foram anos de construção, consolidação e presença ativa no cenário local. Até que, após uma década e o impacto da pandemia, chegou o momento de mais um recomeço. O retorno a Portugal aconteceu depois de quase 20 anos fora daquele mercado.“A certeza do caminho certo veio quando tive de regressar”, diz.
Recomeçar nunca é simples. ainda mais depois de tanto tempo. Mas Robson trouxe consigo experiência, bagagem e, principalmente, a mesma entrega que sempre marcou sua carreira. “Atualmente, continuo a atuar como cantor em diversos lugares e eventos”, explica.


Além dos palcos, também mantém ligação com o mercado brasileiro através de gravações de áudio, mostrando que sua atuação continua conectando diferentes públicos e culturas. Ao longo de toda essa trajetória, um ponto nunca mudou: a forma como encara o trabalho. “A consolidação dá-se com uma postura o mais profissional possível… respeitando sempre as regras do país onde estou”, afirma Robson Nolasco.
Essa consciência, somada à experiência acumulada ao longo dos anos, é o que sustenta sua permanência e relevância em diferentes mercados. E, quando sobe ao palco, não há meio termo. “Entrego-me por completo quando estou a atuar”, diz.
Hoje, vivendo novamente em Portugal e em processo de reintegração ao mercado, Robson olha para o futuro com novos planos. Entre eles, o retorno ao cenário discográfico, uma forma de transformar toda a sua trajetória em novos projetos e registros.
Depois de décadas entre rádios, palcos, países e recomeços, sua história mostra que o caminho artístico não é feito apenas de momentos de destaque, mas de constância, adaptação e coragem para recomeçar quantas vezes for necessário.
E, no caso de Robson Nolasco, a música nunca foi apenas uma escolha. Foi, desde o início, o caminho que o levou até aqui e que continua guiando os próximos passos.
@robsoncantor.oficial
Por: Myllena Sergel

