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Nem todo mundo está preparado para recomeçar do zero em outro país. E menos gente ainda consegue fazer isso transformando incerteza em identidade e pressão em presença.

DJ Pam fez exatamente isso.

Natural de Belém do Pará, capital paraense e uma das principais portas de entrada para a Amazônia, Pamella Moura, hoje com 34 anos, construiu em Portugal uma trajetória marcada por atitude, autenticidade e uma energia que se impõe antes mesmo da primeira batida. Mas o caminho até aqui não começou nas pistas europeias.

Antes da música ganhar protagonismo total na sua vida, Pam tinha uma rotina completamente diferente. Trabalhava como CLT, na gerência de uma franquia, com uma vida estruturada, mas distante do que realmente queria.

A virada veio ainda no Brasil, quando decidiu mudar de direção e apostar na arte. “Sempre quis ser artista. Era o que eu queria… viver da arte”, conta DJ Pam.

Quando decidiu atravessar o oceano, o plano era claro: estudar, se especializar e voltar ao Brasil com mais oportunidades. A pandemia atrasou esse movimento, mas não apagou a ideia. Assim que as fronteiras reabriram, ela veio.

Chegou a Portugal em janeiro de 2022 e a realidade foi bem diferente do que imaginava. “Cheguei com uma ansiedade absurda dentro de mim, com muita vontade de fazer acontecer… mas a minha adaptação não foi fácil”, relembra.

Sem preparo emocional e financeiro, os primeiros meses foram intensos. Trabalhou em diferentes áreas, enfrentou inseguranças e lidou com o impacto de começar do zero em um lugar completamente novo. “Meu emocional caiu, o financeiro também… eu não tinha me preparado em absolutamente nada”, diz.

Mesmo assim, não recuou. Já atuando como DJ no Brasil, Pam sabia que precisava evoluir tecnicamente. Foi então que entrou para uma academia de música eletrônica em Portugal, movimento que mudaria o rumo da sua trajetória.

A partir dali, as conexões começaram a surgir. Pessoas, oportunidades, portas que antes não existiam. “Foi aí que conheci um manager que me fez a proposta de me agenciar para que o mercado me conhecesse”, explica.

Com o tempo, veio um segundo passo ainda mais estratégico: a construção da sua identidade artística. “Decidimos criar a minha persona, a minha marca… para que o meu trabalho tivesse mais alcance.”

E foi assim que DJ Pam ganhou força no cenário. Mas crescer fora do país também exige enfrentar barreiras que vão além do trabalho. “Enfrentei desafios na cultura, na aceitação… na minha personalidade”, conta.

E talvez esse tenha sido um dos maiores testes: permanecer fiel a si mesma em um ambiente novo, onde muitas vezes o diferente demora a ser compreendido. “A melhor forma de enfrentar esses desafios é sendo você e acreditando em você. Uma hora o mundo te compreende e passa a te entender melhor”, afirma.

O reconhecimento começou a vir, e com ele, a confirmação de que estava no caminho certo.

Um dos momentos mais marcantes foi quando recebeu um convite para uma entrevista na televisão aberta em Portugal. “Foi um momento que me fez pensar que eu realmente estava no caminho certo”, relembra.

Hoje, completando 10 anos de carreira, DJ Pam vive uma fase mais estruturada. Já conta com residências musicais fixas, onde se apresenta semanalmente, e segue expandindo sua presença no mercado. “Estou em um momento mais estável… mas ainda em crescimento, sempre estudando para entregar o meu melhor”, explica.

Recentemente, lançou a música “Aquecimento da Pam” e já prepara novos projetos para celebrar essa década de trajetória. Mas, para além dos números, o que sustenta sua caminhada é a forma como se posiciona. “Existem muitos DJs, mas com a minha personalidade é difícil”, diz, com segurança.

E isso se reflete diretamente no que entrega ao público. “Levo pra pista o que eu sou, o que acredito e o que eu quero que o público sinta. É assim que a gente se conecta em uma só energia.”

Essa conexão é, hoje, um dos seus maiores diferenciais. Ao olhar para frente, DJ Pam não esconde a ambição. Quer crescer, expandir e levar sua identidade cada vez mais longe. “Quero ser reconhecida, admirada pelo meu trabalho… de forma que eu sinta que cheguei lá”, afirma.

E deixa claro que essa história ainda está longe de acabar. “DJ Pam não para. É uma mulher vendaval que não passa despercebida… e vem muito mais por aí.”

Entre desafios, adaptação e conquistas, uma coisa é certa: ela não passou pela Europa, ela está construindo seu espaço. E fazendo isso do jeito mais difícil de ignorar possível.

Instagram: @imdjpam
Por: Myllêna Sergel